No mapa, o ponto era perfeito. Faltava saber se ele cabia na rotina das pessoas.
- Segmento
- Varejo alimentar e atacarejo
- Tema
- Expansão e avaliação de nova localização
- Método
- Pesquisa qualitativa e entrevistas presenciais com clientes e não clientes
Legenda
O ponto de partida
Uma grande rede de varejo alimentar tinha diante de si uma oportunidade que parecia certa: um terreno em uma área de grande circulação, integrado a um novo polo de comércio, serviços e lazer.
Mas abrir uma loja é uma decisão cara e difícil de desfazer. E três perguntas ainda estavam sem resposta:
- As pessoas incluiriam aquele endereço na rotina de compras?
- A nova loja traria clientes novos ou só tiraria clientes das lojas da própria rede?
- Que tipo de loja faria sentido ali?
A empresa decidiu responder a essas perguntas antes de investir, e não depois.
Perto não é perto de casa
O estudo começou por um passo que costuma ser pulado: entender como as pessoas realmente fazem compras de supermercado.
Discussões em profundidade e entrevistas presenciais, inclusive na própria área avaliada, separaram as grandes compras de abastecimento das compras menores do dia a dia. Para cada uma, o estudo levantou onde as pessoas compram, quanto gastam e por que escolhem uma loja e não outra.
Daí surgiu a ideia que orientou toda a análise da localização: para o consumidor, uma loja próxima nem sempre é a que fica perto de casa. Muitas vezes, é a que fica no caminho, no trajeto que a pessoa já faz todos os dias.
O consumidor não escolhe uma loja. Escolhe uma loja para cada missão.
A mesma pessoa pode ir a um lugar para o abastecimento do mês, a outro para bebidas e a um terceiro para a reposição rápida. Por isso, a disputa acontecia entre missões de compra, e não só entre redes.
O estudo também investigou como as pessoas formam a ideia de que uma loja é “cara” ou “barata” e como comparam preços na prática. Muitas vezes, essa percepção pesa tanto quanto o preço real.
Uma loja nova não precisa ser uma cópia das outras
A localização não podia ser avaliada separada da marca. Por isso, o estudo ouviu os clientes sobre satisfação, recomendação e incômodos nas lojas atuais. Também ouviu quem não era cliente, para entender como enxergava a rede e as concorrentes.
Essa leitura abriu uma possibilidade nova: a loja do novo polo não precisava repetir as unidades existentes. Ela podia ser a chance de responder ao que os consumidores esperavam em experiência, conveniência e tecnologia.
O teste final: a loja ali faria sentido?
Só então o estudo chegou à nova localização. Os consumidores avaliaram o interesse em usar uma loja naquele polo e o que ela precisaria oferecer para entrar na rotina deles. As respostas foram comparadas entre clientes e não clientes e conforme a região de onde cada pessoa vinha.
Um cuidado foi decisivo: separar o potencial de atrair clientes novos do risco de canibalização, isto é, de a nova loja apenas tirar vendas das unidades da própria rede. Uma loja cheia que esvazia a vizinha não é crescimento.
- O terreno: área de grande circulação, no novo polo.
- Perto de casa × no caminho de todo dia.
- Uma loja para cada missão de compra.
- Um formato novo, não uma cópia das lojas da rede.
- Clientes novos × canibalização das lojas da rede.
O que mudou para o cliente
O estudo levou a empresa a rever o formato da loja planejada para o novo polo. Em vez de repetir o modelo das unidades existentes, a empresa passou a desenhar a nova loja a partir do papel que ela deveria cumprir na rotina das pessoas, dos públicos que poderia atrair e do que precisaria oferecer para transformar interesse em visitas frequentes.
Um mapa mostra onde as pessoas estão. Só a pesquisa mostra para onde elas vão.